Ranulpho Hora Prata e Henrique Prata são homenageados pela ALESE

Escrito por Débora Melo Ligado TPL_WARP_PUBLISH . Publicado em Notícias

O médico e fundador da Cadeira 7 da Academia Sergipana de Letras Ranulpho Hora Prata e seu filho, o também médico e fundador do Hospital do Câncer de Barretos, Paulo Hora Prata, receberam, em memória, a Medalha da Ordem do Mérito Parlamentar da Assembleia Legislativa de Sergipe. A autora da iniciativa, deputada estadual Ana Lúcia, entregou na tarde desta segunda-feira, 19, a honraria nas mãos do filho e neto dos homenageados, Henrique Prata, e do neto e bisneto dos homenageados, Henrique Morais Prata.

Henrique, que discursou em nome do seu pai Paulo e do seu avô Ranulpho agradeceu a homenagem. “Estar aqui hoje é uma alegria imensa e é motivo de orgulho saber da origem que temos, do povo sergipano que tem um sangue muito forte de lutar pelos direitos das pessoas e por tratar as pessoas por igual”, destacou Henrique.

Em seu pronunciamento, Ana Lúcia destacou que as origens dos ideais que influenciaram os sonhos, a prática profissional e a criação do Hospital do Câncer pelo Dr. Paulo Prata remontam a história de vida da sua avó paterna: Dona Anna Hora Prata, fundadora do Hospital Bom Jesus de Simão Dias, hospital beneficente, na primeira década do século XX.

“Os laços familiares e o processo educativo faz com que valores positivos e humanistas passem de geração em geração e, neste sentido, eu, que também faço parte da família Hora, tenho grande afinidade com os homenageados desta tarde. Nós viemos ao mundo para servir, e servir aqueles que mais precisam: os mais humildes e que estão à margem dos direitos”, apontou a parlamentar.

A trajetória familiar marcada pela concepção humanista e pela solidariedade foi destaque no discurso de Henrique, que também atribuiu o exemplo seguido pelo seu pai e pelo seu avô a Dona Anna Hora Prata.

“Casada com uma pessoa que tinha bens, ela abdicou de seus próprios recursos para fundar uma instituição para acolher os doentes e mais necessitados. Ela nunca fez nada para se promover. Ranulpho Prata voltou à sua origem, fez medicina pública e buscou o conhecimento para tratar todas as pessoas, não apenas as pessoas que tinham dinheiro. Depois veio Paulo Prata, que é meu pai. Mesmo sendo um homem que a medicina privada cortejava para que ele permanecesse em São Paulo ele preferiu ir para o interior para tratar o homem do campo e as pessoas do interior”, frisou o representante da família Hora Prata.

Ranulpho Hora Prata

Filho de Felisberto da Rocha Prata e Anna Hora Prata, Ranulpho nasceu em Lagarto em 4 de maio de 1896. Médico de concepção humanista e especialista em radiologia, ficou conhecido pelo seu talento literário: foi fundador da Cadeira 7 da Academia Sergipana de Letras e membro da Academia Santista de Letras; escreveu diversos livros, entre eles “Navios Iluminados”, considerado um marco na chamada literatura proletária.

Ana Lúcia lembrou que Ranulpho Hora Prata foi, em sua essência, um médico idealista e apaixonado pelo exercício da solidariedade. “Dedicava a isso seu trabalho cotidiano – sobretudo junto aos estivadores do porto de Santos e outros trabalhadores da cidade – mas também à sua escrita: Suas obras refletem seu desejo de transformar o mundo num lugar igualitário”, destacou a parlamentar.

A concepção humanista e a profissão de Panulpho influenciaram para além da sua produção literária. “Influenciaram a construção do caráter de seu único filho, Paulo Prata: maior projeção de seus valores de transformação social”, arrebatou a autora da propositura que permitiu a entrega da Medalha.

Paulo Prata

Paulo Prata nasceu em Mirassol, no interior de São Paulo, em 28 de janeiro de 1924. Na Faculdade de Medicina da USP, formou-se e conheceu sua esposa, a também médica, Scylla Duarte Prata, com quem teve cinco filhos: Cristina, Paulo, Beatriz, Henrique e Clarice. Ao lado de Scylla, Paulo também executou o grandioso e solidário projeto de fundar, em 1962, um hospital filantrópico, que veio a se tornar em 1968, o Hospital do Câncer de Barretos.

Totalmente gratuito, o hospital se tornou referência em tratamento da doença na América Latina. São mais de 120 mil metros quadrados, com 50 mil de área construída, onde são atendidos 20 mil novos pacientes por ano. “O grande mérito de Dr. Paulo Hora no tratamento do câncer foi implementar a concepção da prevenção da doença e de que o tratamento precisa ser acompanhado por uma equipe multidisciplinar que atua com a visão coletiva e com respeito à dignidade humana”, apontou a deputada.

Medicina humanizada

Baseado em suas sólidas formações moral e profissional, Dr. Paulo Prata criou princípios que orientam a Fundação até hoje. A priorização de atendimento humanizado e de forma integrada pela equipe clínica aos doentes pobres e aos seus familiares é a principal missão institucional do trabalho do Hospital de Câncer de Barretos. Os médicos que integram a equipe do hospital trabalham em regime de tempo integral, com dedicação exclusiva e possuem isonomia profissional. Eles são incentivados a manter-se atualizados no campo de pesquisa, e a produzir conhecimento científico, por meio de publicação a respeito da prevenção e tratamento do câncer.

O filho de Paulo Prata destacou que o médico conseguiu estudar uma maneira de criar uma medicina humanizade e de melhor performance do Brasil e da América Latina na prevenção e tratamento do câncer e atender gratuitamente. “Esse homem tem a herança de uma família que tinha o compromisso de fazer a justiça social, de que todos falam, mas que dificilmente consegue ser feita”, finalizou.

Presenças

Diversas autoridade prestigiaram a solenidade, entre elas o vice-presidente da ALESE, o deputado Garibalde Mendonça (PMDB), o governador Jackson Barreto (PMDB), o prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB), o vereador Thiaguinho Batalha (PMB), representando a Câmara Municipal de Aracaju, o senador Eduardo Amorim (PSC), o prefeito de Lagarto, Valmir Monteiro (PSC), o promotor Deijaniro Jonas, o deputado Georgeo Passos (PTC) e o Diretor Executivo do Instituto Avon, Lírio Cipriani. Também estiveram presentes representantes da Academia Sergipana de Letra, da Sociedade Sergipana de Medicina, familiares e amigos dos homenageados.