SR. GOVERNADOR, PRECISAMOS RETOMAR AS NOSSAS ESCOLAS

Escrito por Paulo Eduardo Ribeiro Ligado TPL_WARP_PUBLISH . Publicado em Notícias

anafotoO novo ataque desferido na noite desta terça-feira por criminosos a uma escola da rede pública, agora no município de Capela, é um atentado que consterna e afronta toda a sociedade sergipana.

Marcada pelo emprego de extrema violência, a invasão à Escola Antônio Ferreira de Carvalho foi realizada por quatro homens que, portando armas de fogo, agrediram alunos e professores (inclusive uma gestante), realizaram disparos e alvejaram um educador, em mais um episódio trágico de brutalidade e intimidação no interior de um estabelecimento público de ensino.

Aquela comunidade escolar, é desnecessário registrar, encontra-se gravemente traumatizada. Mais uma vez, o espaço de uma escola, que deveria ser intocável, tornou-se palco para o terror, a humilhação e a selvageria.

Já na manhã desta quarta-feira, ocupei a tribuna da ALESE para assinalar a gravidade da ocorrência, solicitando imediata audiência com os responsáveis pela Segurança Pública de nosso estado. Alertei, porém, que apesar de importante, tal medida é absolutamente insuficiente para fazer frente à torrente de violência que está levando o medo, a angústia e a aflição ao último lugar que a sociedade poderia admitir ver atingido: as nossas escolas.

Em nosso entendimento, isso configura muito mais que um simples “caso de polícia”. Para muito além dessa compreensão, acreditamos que a sociedade, como um todo, não pode abrir mão do controle desse “locus” voltado, por definição, à transmissão e à construção do pensamento.

A infraestrutura largamente precarizada de nossas unidades de ensino, professores depauperados por anos de congelamento salarial e com sua carreira profissional esfacelada, a insuficiência e mesmo a inexistência de material didático-pedagógico, bibliotecas, laboratórios, quadras esportivas e equipamentos já conformam um cenário suficientemente dramático para os trabalhadores na educação e para centenas de milhares de estudantes.

A violência e a insegurança já generalizadas no imaginário e que agora invadem a realidade do pátio, da sala de aula e da vida desses profissionais, crianças e jovens são ingredientes que extrapolam todo o limite do aceitável para consumar um quadro de ampla desolação e desestímulo.

Em outras palavras: as agressões físicas, disparos e ameaças são reflexo direto de uma opção política muito mais ampla, que negligencia o único espaço, físico e intelectual, reservado à formação dos filhos da classe trabalhadora, ao tempo em que aparta e afasta a escola pública da vida dos estudantes e seus familiares. Dessa forma, converte os verdadeiros protagonistas do processo de formação educacional em coadjuvantes passivos, temerosos e estranhos ao conceito e ao caráter público do ambiente escolar.

Negar a amplitude desse problema, reduzi-lo a um episódio de violência circunstancial, tratá-lo como algo imprevisível ou mesmo inevitável faz apenas aprofundar as contradições e as consequências das políticas desastrosas para a Educação levadas a cabo por sucessivos gestores e, agora, incrivelmente reiteradas pelo governo estadual.

A magnitude da tarefa de resgate que agora se coloca exige compromisso e grandeza do Poder Público, mas não menos importante, clareza e ação imediata de toda a sociedade.

Precisamos tomar o futuro em nossas mãos. Precisamos retomar as nossas escolas.

Deputada estadual Ana Lúcia.