Ana Lúcia aponta contradições do modelo de ensino em tempo integral da SEED

Escrito por Débora Melo Ligado TPL_WARP_PUBLISH . Publicado em Notícias

Em pronunciamento na ALESE, a deputada estadual Ana Lúcia levou para a tribuna a angústia dos professores e estudantes da rede pública estadual ao analisar os impactos da implantação do modelo de ensino em tempo integral da Seria de Estado da Educação para a rede pública de ensino. Acompanharam o pronunciamento professores e professoras da rede estadual de vários municípios sergipanos e lideranças do SINTESE.

Além de seletivo, tecnicista e implantado de forma autoritária, o modelo de ensino integral governo do Estado de Sergipe já está sendo executado na rede estadual sem que as escolas tenham a mínima condição física.

Ana Lúcia chama a atenção para a essência do modelo adotado pela SEED, que se restringe ao ensino em tempo integral, se restringindo a apenas ampliar a jornada dos estudantes, dentro da mesma lógica e da mesma estrutura precária em que se encontram as escolas públicas.

“A concepção do projeto é a mesma que vem do governo golpista Temer, de investimento no capital humano. A escola não pode reproduzir a concepção de treinar o ser humano apenas para o mercado de trabalho. A escola é potencializadora de transformações e de mudanças e tem função social de formar o cidadão – como garante a Constituição Federal - e essa formação não pode se dar apenas para a reprodução da produção social material”, destacou.

A deputada apresentou fotografias que mostram o estado de desestruturação das escolas em que os estudantes passam cerca de nove horas por dia. “A maioria das escolas não possuem laboratório, e quando possuem, não tem condições de funcionamento; não tem espaço para banho. Para o Governo do Estado, escola de pobre é pobre também”, lamentou.

As imagens são parte de uma pesquisa realizada pelo mandato da deputada nas 17 unidades de ensino que atualmente funcionam como Centro Experimental de Ensino Médio.
Dentre as escolas pesquisadas 15 não contam com vestiário, 15 não possuem laboratórios de Física, Química e Biologia funcionando e 14 escolas não contam com refeitório organizado. Além disso, praticamente todas têm problemas nas redes elétrica e hidráulica. A pesquisa aponta que apenas Colégio Estadual Joana de Freitas em Propriá possui as condições mínimas para funcionar com a modalidade ensino médio em tempo integral.

“A escola não é depósito de gente. A escola deve ser o espaço de socialização dos bens culturais”, resumiu Ana Lúcia.