Alese recebe audiência sobre obrigatoriedade do Espanhol na Educação Pública

Escrito por Paulo Eduardo Ribeiro Ligado TPL_WARP_PUBLISH . Publicado em Notícias

WhatsApp Image 2018 09 04 at 15.11.28Na última terça-feira, 4, a Assembleia Legislativa de Sergipe recebeu a audiência pública “Língua Espanhola na Educação Pública”. A audiência foi realizada pela Comissão de Direitos Humanos da Alese, através de uma iniciativa da deputada Ana Lúcia e encheu o plenário e as galerias da Casa.

Participaram da audiência como palestrantes o secretário de Estado da Educação, Dr. Josué Modesto dos Passos Subrinho, a professora e coordenadora do Colegiado de Letras Espanhol do Departamento de Letras Estrangeiras da UFS e presidenta da Associação Brasileira de Hispanistas, Drª Doris Cristina Vicente da Silva Matos, a professora de Espanhol do Departamento de Letras Estrangeiras da UFS e tesoureira da Associação Brasileira de Hispanistas, Drª Joyce Palha Colaça, o professor de Espanhol da Secretaria de Estado da Educação de Sergipe, Me. Antônio Carlos Silva Júnior, e o vereador e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Aracaju, representando o legislativo municipal.

O professor de Língua Espanhola da rede estadual de ensino, Me. Antônio Carlos Silva Júnior, falou sobre a obrigatoriedade do ensino do idioma espanhol na escola pública de Sergipe. “Somos professores da rede estadual que temos qualidade, estamos fazendo o nosso trabalho voltado para a criticidade, para ampliação de visão do estudante, reforçando o caráter plurilinguista do ensino e queremos continuar fazendo isso. Existe uma proposta para a rede estadual que coloca o espanhol em uma categoria de sugestão para o estudante, que retira a obrigatoriedade do ensino de língua espanhola. Nós não podemos aceitar isso. Nós queremos permanecer de forma obrigatória no currículo dos alunos", reivindicou.

A Drª Doris Cristina Vicente da Silva Matos demonstrou preocupação com a proposta de retirada da obrigatoriedade da língua espanhola na rede estadual de ensino. "Retirar o espanhol do currículo é um retrocesso muito grande. Não podemos permitir que isso aconteça com os nossos jovens. Não podemos permitir que esse modelo tecnicista, voltado apenas para o mercado seja estabelecido. Além disso, o que acontecerá com os 142 professores de espanhol que temos no estado de Sergipe, o que irá acontecer com esses profissionais? Precisamos que eles tenham alguma garantia para o seu futuro", defendeu.

A professora de Espanhol do Departamento de Letras Estrangeiras da UFS e Tesoureira da Associação Brasileira de Hispanistas, Drª Joyce Palha Colaça falou sobre a necessidade de um ensino mais humanista e integrador. "A discussão sobre a política linguística não deve ser apenas sob o ponto de vista acadêmico. Ao retirarmos o direito que as pessoas têm de escolher uma língua para estudar, nós estamos reforçando o viés autoritário do ensino. Como linguistas, estamos interessados numa política linguística que ultrapasse as nossas fronteiras, que rompa essa ideia de uma educação que pensa apenas no viés econômico. Que globalização é essa que restringe todas as possibilidades do plurilinguismo, que limita o ensino a apenas uma língua? Que se vira apenas para um lado do continente? Quando isso acontece estamos voltando ao tempo da formação dos estados nacionais, do imperialismo, é um retrocesso muito grande. Será que são só os Estados Unidos ou os países de língua inglesa que produzem o conhecimento científicos?".

O professor de Língua Espanhola da rede estadual de ensino, Me. Antônio Carlos Silva Júnior, falou sobre a obrigatoriedade do ensino do idioma espanhol na escola pública de Sergipe. Somos professores da rede estadual que temos qualidade, estamos fazendo o nosso trabalho voltado para a criticidade, pra ampliação de visão do estudante, reforçando o caráter plurilinguísta do ensino e queremos continuar fazendo isso. Existe uma proposta para a rede estadual que coloca o espanhol em uma categoria de sugestão para o estudante, que retira a obrigatoriedade do ensino de língua espanhola. Nós não podemos aceitar isso. Nós queremos permanecer de forma obrigatória no currículo dos alunos", reivindicou.

O secretário de Estado da Educação, Dr. Josué Modesto dos Passos Subrinho, assegurou que até o momento não existe nenhuma intenção da Secretaria de Estado da Educação de retirar a obrigatoriedade da língua espanhola da rede estadual. "O marco legal não foi revogado. Na prática, a lei que institui o ensino obrigatório de língua espanhola nas escolas públicas não foi revogada. A recente reforma do ensino médio ainda não foi regulamentada ou implementada. O Conselho Nacional de Educação ainda não emitiu nenhum parecer sobre a Base Nacional Comum Curricular do ensino médio. A batalha jurídica sobre como será o currículo na escola pública em Sergipe ainda está em curso. Enquanto essa batalha permanecer, não vai haver alteração legal que faculte as escolas a alterarem o currículo", ponderou o secretário.

O vereador e presidente da Comissão de Educação da Câmara de Vereadores de Aracaju, Iran Barbosa, também reforçou a luta dos profissionais do ensino da língua espanhola. "Precisamos garantir a pluralidade na nossa sociedade e isso também passa pela pluralidade linguística. Não é possível se falar em uma sociedade plural se nela se criam esses instrumentos de restrição. Sobretudo em um país com o perfil do Brasil. Ao nos submetermos a uma língua relativamente global, que obedece a lógica do mercado, para que nós também estejamos subordinados a essa mesma lógica, não me parece nada razoável, sobretudo por estarmos encravados no território que estamos. Portanto, o que nos resta é resistir para garantir o ensino língua espanhola e de todo esse pluralismo que nós defendemos".